A uol me comunicou que o espaço aqui esgotou. Não sei porque, mas eu sabia que isso ia acontecer. Aconteceu com o blog do meu amigo Junior. Então agora atendo em novo endereço. "Ao som de um Bolero" é a segunda parte dos últimos dias desses poeta analfabeto. Me visitem por lá.
Às vezes tudo parece mais simples olhando de dentro da janela do carro. Tenho uma vontade imensa de sair correndo no meio da chuva e abraçar o mundo. Chego a pensar por alguns segundos que sou feliz. Mas logo em seguida, volto a sentir o peito apertado.
Viver é simples de mais. Mas dói. E como dói.
Acho que eu não estou pronto para começar a viver, mas a vida começou há 22 anos atrás e se eu não aprender agora, como vou fazer no próximo outono?
É meio estranho pensar isso aos 22 anos, mas quanto tempo eu ainda tenho? O suficiente para ter certeza que não aprendi nada? Talvez não.
Talvez eu só queira apagar algumas coisas que carrego comigo em silêncio.
Eu ainda continuo seguindo meus dias, quieto, com os olhos úmidos e baixos e sem nenhum tipo de esperança. Prefiro me encontrar com ela dobrando uma esquina no centro de São Paulo, saindo de um sebo com um livro do Rimbaud de baixo do braço.
"Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto."
(Caio Fernando Abreu)
Só queria chegar até o fim com dignidade. Mas acho que nem até o fim eu consigo chegar.
Ao som de um bolero, ele via um girassol sob o olhar triste da lua
(ele amava os girassóis)
(...)
- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
E logo depois acrescentaste:
- Quando a gente está muito triste, gosta de admirar o pôr – do – sol...
- Estavas tão triste assim no dia em que contemplaste os quarenta e três?
Mas o principezinho não respondeu.
Trecho de “ O Pequeno Príncipe ”.
Acabo de sentir uma necessidade de ver o sol se pôr. Uma tristeza esperada acaba de me visitar. Quatro meses sem meu avô. Percebo que o tempo passa e que a vida toma seu curso natural. Ela continua, eu continuo, mas parece que a dor aumenta a cada dia que tudo se torna mais distante.
Eu não queria dizer nada a ele, apenas queria olhar em seus olhos e contemplar mais uma vez aquele sorriso que a vida me tirou.
Era uma parte do meu sorriso, uma parte de mim que agora vive muito bem guardada nesses olhos baixos e úmidos.
Metade de mim é amor, a outra é uma tristeza sem fim.