Últimos dias do poeta analfabeto
   
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Que país é esse?

 

 

Ontem, um policial metralhou um carro no Rio de Janeiro. O resultado disso foi nada mais nada menos que uma criança de quatro anos morta.

 

Hoje, Celso Pitta (ex prefeito de São Paulo) foi preso acusado de lavagem de dinheiro.

 

Então acontece o seguinte:

 

Nós elegemos os caras para administrar o nosso país;

 

A função da polícia é nos proteger, perseguir bandido e cumprir a lei de forma justa. E no entanto, temos mais medo de polícia do que de bandido hoje em dia.

 

Sem contar nos políticos que cada vez mais desviam dinheiro de educação, cultura, saúde para benefício próprio.

 

Aonde tudo isso vai parar?



Escrito por Chico Ribas às 20h00
[] []




O tempo

 

 

Tenho me tornado um louco de mim mesmo.

Ainda bem que terça-feira, começo a fazer terapia.

 



Escrito por Chico Ribas às 00h29
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Sobre o silêncio (part. II)

 

 

Moro em São Paulo há quatro anos. Vim pra cidade grande para estudar teatro. No primeiro ano do meu curso uma professora pediu para que os alunos assistissem uma peça para fazer um relatório depois. A peça era “Borghi em Revista”. Era uma peça onde o ator Renato Borghi (fundador do Teatro Oficina junto de José Celso Martinez Correa), interpretava a si mesmo e contava para o público a sua história no teatro brasileiro. Enfim, a peça é o que menos importa agora. Lembro-me de ter ido com algumas amigas do curso de teatro e minha mãe. A peça estava em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil.

Quando estávamos na fila para entrar no teatro minha mãe vira e fala pra mim:

 

- Você viu quem está aí? Eu na inocência respondi: - Não. E ela retrucou: Então olha...

 

Era simplesmente Paulo Autran. Eu era apenas um estudante de teatro de dezessete anos que sonhava em conhecer o maior ator da nossa história.

A peça começou e eu não consegui prestar atenção em uma palavra que Renato Borghi dizia. Para mim, a presença de Paulo naquele momento era a coisa mais importante.

A peça era longa, tinha um intervalo de 20 minutos acho. Essa era a minha chance, mas eu era muito tímido, pensava que ele devia estar cansado de fãs correndo atrás dele.

Minha mãe na cara de pau foi até ele e disse que alguns jovens atores queriam muito conhecê-lo, mas estavam com vergonha. Que bobagem... Paulo Autran foi muito atencioso, generoso e carinhoso. Eu estava ali, babando em cima dele. Quase não deixava os outros conversar com ele. Conversei muito sobre ele, seus papéis marcantes, seus filmes, peças, novelas, minisséries... e quando ele começou a falar a sua mais famosa frase que é – “O cinema é a arte do diretor, o teatro do ator e a televisão do publicitário”, eu já completei antes mesmo que ele terminasse.

Uma de minhas amigas estava com uma câmera fotográfica com penas duas poses. Era a chance da minha vida de me eternizar ao lado do mestre. Perguntei se ele não se incomodava... e tiramos a foto ali, no saguão do terceiro andar