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Cansei de escrever. Cansei de criar histórias que acabam em nada.

Não quero viver pensando que tudo tem seu tempo certo e o momento exato. Não quero me encontrar mais perdido do que estou.

Eu quero agora e para sempre...

...mas ninguém entende isso. Ninguém entende, nem entenderia a minha necessidade de não existir.



Escrito por Chico Ribas às 00h36
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Ao som de um bolero, ele via um girassol sob o olhar triste da lua  

(ele amava os girassóis)

(...)

- Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!

E logo depois acrescentaste:

- Quando a gente está muito triste, gosta de admirar o pôr – do – sol...

- Estavas tão triste assim no dia em que contemplaste os quarenta e três?

Mas o principezinho não respondeu.

 

Trecho de “ O Pequeno Príncipe ”.

 

Acabo de sentir uma necessidade de ver o sol se pôr. Uma tristeza esperada acaba de me visitar. Quatro meses sem meu avô. Percebo que o tempo passa e que a vida toma seu curso natural. Ela continua, eu continuo, mas parece que a dor aumenta a cada dia que tudo se torna mais distante.

Eu não queria dizer nada a ele, apenas queria olhar em seus olhos e contemplar mais uma vez aquele sorriso que a vida me tirou.

Era uma parte do meu sorriso, uma parte de mim que agora vive muito bem guardada nesses olhos baixos e úmidos.

Metade de mim é amor, a outra é uma tristeza sem fim.



Escrito por Chico Ribas às 00h47
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Do blog da Gambiarra!

 

+++++

 

SOBRE A NOITE DE ONTEM (09/08/2009)

GAMBIARRA INFORMA

A Gambiarra caiu na boca, e no coração, do povo. E, infelizmente, nos olhos de ganância de invejosos. Ontem, por volta das 2h da manhã, cerca de 10 viaturas da Guarda Civil Metropolitana, lideradas por dois fiscais da Subprefeitura da Sé (Tiago Augusto Inácio Gomes da Silva e Rafael – que não quis revelar o sobrenome), que não portavam identificação, cercaram as 3 entradas da festa, armados, e sem portar nenhum mandato ou coisa parecida, e bloquearam todas as portas da casa contra a vontade dos organizadores da festa. “Ninguém mais entra nem sai da casa”, disse o Rafael a um dos organizadores, impedindo inclusive a entrada do mesmo, que estava no momento na rua orientando os clientes que acabavam de chegar, e causando conflito com os clientes que já haviam pago e queriam simplesmente ir embora.
Sem conversarem ou darem qualquer satisfação, arrancaram e confiscaram à força os banners das 3 portarias (inclusive agredindo um dos funcionários), sendo que todos os banners foram feitos dentro dos limites impostos pela própria prefeitura no Cidade Limpa.
A Gambiarra obedece ao PSIU (o nível de som que ultrapassa as pistas é muito pequeno), ao Cidade Limpa (todos os banners têm metragem muito menor do que o máximo permitido) e agora à Lei Anti-Fumo (no final de semana anterior à entrada em vigor da lei o cigarro já foi proibido na casa e foi criada uma alternativa para as pessoas entrarem e saírem da festa para fumar). Além disso, a casa, que conta com 3 pistas distintas, tem alvará de funcionamento para cada uma delas.
Ainda sem informar o motivo da “fiscalização”, os fiscais e os policiais invadiram a festa. Depois de verificarem que não havia fumantes nas pistas de dança, e exigirem que o som fosse desligado à força, fizeram o primeiro pronunciamento: “Queremos ver o alvará de funcionamento da casa”. Imediatamente, claro, foram encaminhados pela produção ao escritório onde tiveram em mãos os 3 alvarás de funcionamento.
Não satisfeitos, ordenaram o imediato desligamento do som e a retirada de todas as pessoas da festa para que fosse feita a contagem de quantos freqüentadores estavam presentes naquela noite, um por um.
Pressionados, por policiais armados, os produtores foram aos microfones das pistas para comunicar os clientes de que eles infelizmente tinham que sair.
O dj da Pista 1 ainda tentou resistir tocando algumas músicas da época da Ditadura, já com um volume bem baixo, embalado por um coro dos próprios freqüentadores, mas logo teve que ceder por ameaça policial.
Neste momento, as 1.400 pessoas presentes na festa se encaminharam para os caixas. Não bastando, e bloqueando todas as saídas, os policiais, inconseqüentemente, abriram uma das portas da festa, sem autorização e controle dos proprietários, permitindo a saída de várias pessoas ao mesmo tempo sem o pagamento da comanda, causando tumulto, gritaria e prejuízo à casa.
Terminada a contagem exigida pelo fiscal e totalizadas quase 1400 pessoas (o que estaria dentro da normalidade, caso ele considerasse o alvará das 3 casas utilizadas conjuntamente), os fiscais da prefeitura deram a primeira e única satisfação para os donos da festa: “ Vocês não podem juntar 3 casas diferentes numa só festa. Nós só aceitamos 1 dos seus alvarás, com capacidade para 510 pessoas. Vocês precisam de 1 alvará coletivo para as 3 casas”. Informação esta nunca notificada anteriormente pela própria Prefeitura.
Com a casa já vazia, os fiscais abandonaram o local sem efetivar uma notificação do ocorrido – ação esta que deve vir antes da multa e muito antes de uma expulsão arbitrária e ditatorial.
Com prejuízos inumeráveis, tanto para os organizadores da festa como para os clientes, tamanha irresponsabilidade, que poderia ter provocado tumulto de proporções catastróficas, acabou com uma noite de uma das festas que mais respeitam todas as leis impostas por esse governo, sempre pensando no bem da população.
Alertamos a imprensa que tal fiscalização não teve relação direta com a Lei Anti-Fumo, conforme publicado em alguns veículos. Não havia nenhuma pessoa fumando dentro da festa e os agentes em nenhum momento se identificaram como fiscais da nova lei.
Independente do acontecido, a Gambiarra continuará alegrando nossos domingos e desabando água, pra lavar o que tem que limpar.
“Nós lamentamos o fato ocorrido e pedimos a todos os amigos e freqüentadores presentes na noite de ontem que entendam nossos esforços no sentido de adequar sempre a festa às leis e ao conforto de nosso público”.
Os freqüentadores que tiveram os ingressos devolvidos poderão utilizá-los para entrar gratuitamente na festa numa próxima edição de domingo
(não válido para a Edição Especial na The Week, no dia 14 de agosto).
Qualquer manifestação no sentido de repugnar tal ato ditatorial deve ser enviada para gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br, diretamente para nosso prefeito Gilberto Kassab.

Grande abraço,
Produção Gambiarra – A Festa



Escrito por Chico Ribas às 17h59
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Eu nunca gostei de comemorações específicas: Natal, Ano Novo, dia dos Pais, das Mães, dia do índio, da consciência negra, etc...

Acho que as pessoas deveriam respeitar o próximo sem esse papo de que “Natal é época para se perdoar” e toda essa ladainha que já conhecemos.

Acontece que nessa datas específicas eu sempre fico mais triste. É muita hipocrisia sentar diante de uma mesa farta, todo mundo com uma felicidade montada enquanto os problemas do outro lado da janela do meu apartamento continuam os mesmo.

Infelizmente eu não vou mudar o mundo e tenho quase certeza de que o mundo nunca será mudado.

Não quero desejar feliz dia dos pais ao meu pai... todo dia ele é meu pai e não seria justo só em um único dia eu parar e desejar isso a ele.

Prefiro deixar um trecho de um texto que escrevi recentemente. Escrevi pensando na história do meu pai e na morte do meu avô.

 

“- quanto tempo será que vai levar para a gente se reencontrar? Dez anos? Vinte? Cinqüenta? Sabe que eu acho que seria uma puta sacanagem se não existisse nada depois da morte? Meu pai perdeu seu pai com 26 anos, há 29 anos atrás, é bem provável que ele sonhe com algum tipo de reencontro. Ou será que a vida já lhe tirou todas as possibilidades de sonhar? Não seria justo a vida terminar ali, naquela embalagem de madeira. Mas também quem disse que a vida é justa? Já ouvi muita gente mandando eu agradecer a vida que eu tenho, a família que me deram. Vou agradecer sim. É pra Deus que se agradece? Então aí vai...

- obrigado Deus, por ter me dado essa família incrível. Esses pais, esses avós, esses irmãos, muito obrigado... realmente eu não poderia ter nascido em uma família melhor.

Pronto, agradeci.

Ah, mas eu ia me esquecendo... obrigado também por depois de ter dado, tirá-los de mim. Qual é Deus? O presente tem prazo de validade?

 

É, os tempos já não são mais os mesmos.”

 

Acho que é isso!

 

La vie en rose é sem dúvida nenhuma a música favorita do meu pai. Então aí está.

  

E Besame Mucho a música do meu avô (já que ser avô é ser pai pela segunda vez). 



Escrito por Chico Ribas às 16h09
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