Às vezes tudo parece mais simples olhando de dentro da janela do carro. Tenho uma vontade imensa de sair correndo no meio da chuva e abraçar o mundo. Chego a pensar por alguns segundos que sou feliz. Mas logo em seguida, volto a sentir o peito apertado.
Viver é simples de mais. Mas dói. E como dói.
Acho que eu não estou pronto para começar a viver, mas a vida começou há 22 anos atrás e se eu não aprender agora, como vou fazer no próximo outono?
É meio estranho pensar isso aos 22 anos, mas quanto tempo eu ainda tenho? O suficiente para ter certeza que não aprendi nada? Talvez não.
Talvez eu só queira apagar algumas coisas que carrego comigo em silêncio.
Eu ainda continuo seguindo meus dias, quieto, com os olhos úmidos e baixos e sem nenhum tipo de esperança. Prefiro me encontrar com ela dobrando uma esquina no centro de São Paulo, saindo de um sebo com um livro do Rimbaud de baixo do braço.